quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Fixação pela ficção

Essas sagas de vampirinhos românticos estão um tanto enauseantes, não sei se vocês concordam comigo. Toda essa coisa de Crespúsculo, True blood e sei lá o que do aprendiz de vampiro são bastante... ctrl C+ctrl V
A pior parte é que tem uma galera (de meninas doidas pelo Pattinson-cara-de-morto) que vão atrás de todas essas coisas, e eu estava aqui me perguntando o por quê desse fanatismo bobo.
Cheguei à conclusão que as histórias que gostamos normalmente estão relacionadas ao que queremos pra nossa vida, de certa forma nos realizamos atráves de histórias com personagens com que nos identificamos. Suponho que o grande objetivo dessas meninas seja encontrar o seu próprio parasitasugadordesanguecarapálida que a ame incondicionalmente e queira se matar quando você morrer, ou queiram estar em um triângulo amoroso com criaturas doidas do cinema.
Talvez a ficção seja o nosso melhor meio de nos desligar do mundo, mergulhamos por algumas horas em uma situação pré-concebida na mente de alguém de forma que nos agrade de tal forma que queiramos estar nesse universo criado, é nossa pequena válvula de escape do rotineiro, do 'sem graça', do normal.
No Out of the silent planet é mencionado algo sobre isso, e Hyia fala pro Ransom que sua raça não só se alegra com as alegrias momentâneas mas estende a alegria à memória, de tal forma que cada vez que é lembrado determinado evento, a alegria daquele momento retorne e se usufrui do que aqueles momentos trouxeram durante muito tempo - como o momento em que Hyia e Ransom se conheceram, foi um momento fantástico, mas o mais fantástico foi o relacionamento originado naquele instante e que não cessou de crescer depois disso. Por que para os Hrossa, não há motivo para se viver no passado, mas sim há motivos para trazer ao presente o bem deixado pelo passado.
Acho que é meio assim que a gente deveria viver. Ao invés de ficar criando momentos bons e inesquecíveis, é mais importante preservar aqueles que passaram e deixaram suas marcas. Ao invés de nos realizarmos tanto pelas histórias, é mais importante vermos o que conseguimos realizar em nossas vidas, ver o que ainda podemos conquistar.
Chega de viver sonhando com personagens que nunca existiram, chega de criar possibilidades impossíveis. Curta o que você têm e teve, e viva dentro do que é possível para o futuro.
Não espere um príncipe encantado em um cavalo branco, um lobisomem que toma bomba, um paraplégico de pernas magras que vira um cara azul de 3 metros ou um cara que quer beber o seu sangue. Porque, a não ser que você tome alucenógenos bastante fortes ou ande muito pelo Hollywood Walk of Fame, vai ser bastante difícil de encontrar essas coisas por aí.

E, considerando que somos apenas humanos, certamente continuaremos gostando das ficções, lendo-as e assistindo-as... e podemos aproveitar algo de bom disso: descobrir com o que nos realizamos nas telas e nas páginas para entender nossas próprias ambições!

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