Fazia muito tempo que não abria aqui, apenas hoje me deparei com o fato que ultrapassamos as 10.200 visualizações de página do blog. Tá, sei que muitos tem milhões e milhões de visitas mas, 10.200 vezes alguém no mundo vir parar no meu humilde link - pessoas que me conhecem ou não, que falam minha língua ou não, vir aqui por algum motivo é interessante.
Peço perdão pela ausência, sinto muita falta de escrever mas realmente o tempo está curto.
Esse final de semana, acabamos de sediar um evento da ABU, o Conselho Regional e recebemos aqui em nossa cidade mais de 190 pessoas e... bem, alimentar, hidratar, dar cama e abrigo pra tudo isso de gente em uma escola dá um bocado de trabalho.
Mas mesmo com o estresse, o pouco sono, o muito estudo e as crises ao sucumbir à pressão, tudo tem sido muito bom.
Às vezes eu sinto falta de algumas coisas de antes, tenho pensamentos meio nostálgicos de episódios isolados em minha memória, mas não são nada mais que isso - episódios isolados. É como espontaneamente em uma aula de equações diferenciais você ter saudades de quando você estava aprendendo a somar, resolver equações simples, talvez até uma função. Não faria sentido aprender tudo aquilo de novo, mas hoje seria mais fácil que foi então.
Então, pensamentos isolados de lado, apesar de não estar sendo fácil, tenho aprendido realmente muito.
Eu acho engraçada a comunicação de Deus comigo, tem gente que ouve uma pregação e diz "é o que Deus quer me falar!", mas ele faz diferente comigo. Eu ouço uma vez, ok. Ouvi. Mais uma vez: Hum... interessante. Terceira vez: Ok, Deus, pode falar.
Acho que ele entende que eu não funciono com uma breve afirmação só da mesma forma que um experimento não tem validade se ele não for repetido e der o mesmo resultado. Bem, ele que me fez, ele deve entender melhor do que ninguém.
Há duas coisas que tenho ouvido e lido muito e, como eu sei que a probabilidade de isso acontecer tantas vezes é essencialmente nula, parece que Deus realmente está batendo nessas teclas comigo até eu entender, e inclusive me dando situações em que eu preciso aprender com essas coisas.
Primeiro: Fé de uma criança. Simples assim. É um texto que tantas pessoas conhecem, de quando Jesus diz que devemos receber o reino dos céus como os pequeninos... e eu ainda assim não tenho feito isso.
Segundo: Não colocar as coisas daqui acima das coisas de Deus. É claro que não vou vender minhas coisas e sair mendigando na rua pra só me dedicar às coisas de Deus, precisamos sobreviver! Mas no final do dia, o que conta não é se você tem infinitos dígitos na sua conta bancária ou se você tem um corpo dentro dos padrões estabelecidos pela sociedade - o que conta é o que você fez com tudo isso que você tinha.
Então, vamos lá, hoje vou falar apenas a respeito do primeiro item. A Fé. A fé a respeito da qual Deus tem falado comigo talvez até fosse melhor traduzida como 'confiança' do que fé. Sempre dizemos que Deus tem o futuro nas mãos dele, ele que decide o que é melhor pra nós, bla bla blá whiskas saché. Mas esse é o problema, nós dizemos, não vivemos.
É incrível o nível de incerteza que minha vida tem tido nos últimos anos, são muitas coisas relativamente pequenas que definem muitas coisas e isso acaba criando um mal estar pra mim, eu me sinto inteiramente fora do controle e isso não é bom.
Eu sou daquela autossuficiente que quando faz trabalho em grupo, faz sozinha porque não confia no trabalho dos outros. Eu sou daquela que se algo tem que ser feito, prefiro eu fazer do que talvez dar errado na mão de outra pessoa. Mas isso não é um atitude cristã, porque isso não só me afeta no sentido horizontal (eu - pessoas) mas também no aspecto vertical (eu - Deus). "Deus, eu acho que você não está entendendo bem a situação..." "Deus, tem certeza? EU acho que..."
Mas... olhando pra trás, quantas coisas eu queria tanto e tanto e não as tive, fiquei muito chateada... e então descobri que Deus tinha algo melhor para mim. Portanto, o meu comportamento atual, é completamente irracional, já que já passei por esse tipo de coisa.
Alguns exemplos: Arquitetura. Já foi um sonho. Cheguei perto... Mas não passei. Fiquei brava, chateada. 90 pessoas! Céus, por 90 pessoas não entrei na usp no terceiro ano do colegial! Fiquei exaltada. Então, Medicina se mostrou e me encantou, e mudou o meu sonho. E Deus sempre me falando pra seguir em frente, pra ter paz e... e... eu não passei de novo? Como assim Deus? Qual a brincadeira?
Então, acabei vindo fazer engenharia - quando a matéria que sempre tive mais dificuldade era matemática. A família que diz que tenho um jeito 'engenheiro de pensar', mas nunca tive as notas de um engenheiro. E foi o ponto de 'Po Deus, ta de sacanagem!' Cheguei ao ponto de dizer que não viria a não ser que passasse em um dos primeiros lugares, terceiro ou nono. E eu passei em nono.
Não havia mais forma de negar que aquelas orações todas que estava fazendo e pensava que iam pra lugar nenhum iam pra Ele. Eu vim.
E tive problemas aqui, apanho muito pra passar... e surge um novo sonho - estudar fora. E isso me foi tirado também. Cheguei ao ponto de 'Não quero mais sonhar se for pra apenas me frustrar!'. E assim descobri que os sonhos de Deus eram bem diferentes. Comecei a me envolver com a ABU, comecei a trabalhar com e para eles, e... puxa. Não ter eles na minha vida seria meio inconcebível. E para tentar o ciência sem fronteiras, precisei tirar um diploma de inglês, o IELTS. Nisso descobri que um amigo meu da ABU também o faria. Comecei a trazer material pra ele estudar e começamos a conversar pra ele praticar. E, bom, a conversa foi bem. Muito bem. Tão bem, que hoje estamos namorando. Na época em que eu deveria estar partindo para o Canadá, começamos a namorar. E saiu um edital para o Reino Unido logo depois.
Eu olho pra tudo isso e fico feliz porque vejo o cuidado de Deus. Nada parecia dar certo, e talvez não deu mesmo. Mas descobri que o melhor lugar pra estar não é na usp ou na unifesp, em são paulo ou em são josé. O melhor lugar pra estar é dentro da vontade de Deus.
E agora, com o CR, não pude estudar pra uma prova importante que se eu não passar, não poderei ir ao reino unido no ano que vem; estudei muito antes, mas ainda assim não fui bem nas primeiras provas. E eu comecei (é lógico) a ter outra crise. Mas parei pra pensar, e puxa, eu pude fazer trabalho de formiguinha pra ajudar em um movimento estudantil pra alcançar vidas, ajudar pessoas, pra mais almas conhecerem esse Deus que tem sido tão incrível na minha vida, e eu estou aqui achando que esse mesmo Deus não liga ou sabe o que está acontecendo? Isso não é lógico. Isso é irracional. Céus, isso é estúpido.
Eu peguei todas as minhas preocupações sobre como será o próximo ano e falei, "Deus, cuida pra mim." e foi a melhor coisa que poderia ter feito. Nunca fui tão tranquila pra uma prova com tamanha importância. Todo o medo que tem me governado nos últimos anos, eu entreguei. Estou bem, estou feliz e estou com a consciencia limpa. Fiz o melhor que pude e... se Deus já fez tantas coisas inesperadas, quem sabe qual a próxima que ele vai fazer comigo?
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
It is a noble feeling, but it is still a feeling
Ontem, após meu fiasco em Cálculo 3, decidi ler um pouco mais de Cristianismo Puro e Simples porque C.S.Lewis sempre tem algo bom a ensinar de maneira simples para um cérebro cansado.
Li uns 4 capítulos, porém os que mais me chamaram atenção foram os relacionados a relacionamentos. Teve um trecho em particular que gostei bastante porque me lembrou muito algo que eu mesma escrevi há algum tempo aqui, então trago para os caros leitores de forma muito mais eloquente, o que eu havia tentado passar aquele dia.
"What we call 'being in love' is a glorious state, and, in several ways, good for us. It helps to make us generous and courageous, it opens our eyes not only to the beauty of the beloved but to all beauty, and it subordinates (especially at first) our merely animal sexuality; in that sense, love is the great conqueror of lust. No one in his senses would deny that being in love is far better than either common sensuality ir cikd sekf-centredness. But, as I said before, 'the most dangerous thing you can do is to take any one impulse of our own nature and set it up as the thing you ought to follor at all costs'. Being in love is a good thing, but it is not the best thing. There sre many things below it, but there are also things above it. You cannot make it the basis of a whole life. It is a noble feeling, but it is still a feeling.Now no feeling can be relied on to last in its full intensity, or even to last at all. Knowledge can last, principles can last, habits can last; but feelings come and go. And in fact, whatever people say, the state called 'being in love'usually does not last. (...)
But, of course, ceasing to be 'in love'need not mean ceasing to love. Love in this second sense - love as a distinct from being in love' - is not merely a feeling. It is a deep unity maintained by the will and deliberately strengthened by habit; reinforced by (in christian marriages) the grace which both partners ask, and receive, from God. They can have this love for each other even at those moments when they do not like each other; as you love yourself even when you do not like yourself.(...) 'Being in love' first moved them to promise difelity: this quieter love enables them to keep the promise. It is on this love that the enfine of marriages run: being in love was the explosion that started it."
Li uns 4 capítulos, porém os que mais me chamaram atenção foram os relacionados a relacionamentos. Teve um trecho em particular que gostei bastante porque me lembrou muito algo que eu mesma escrevi há algum tempo aqui, então trago para os caros leitores de forma muito mais eloquente, o que eu havia tentado passar aquele dia.
"What we call 'being in love' is a glorious state, and, in several ways, good for us. It helps to make us generous and courageous, it opens our eyes not only to the beauty of the beloved but to all beauty, and it subordinates (especially at first) our merely animal sexuality; in that sense, love is the great conqueror of lust. No one in his senses would deny that being in love is far better than either common sensuality ir cikd sekf-centredness. But, as I said before, 'the most dangerous thing you can do is to take any one impulse of our own nature and set it up as the thing you ought to follor at all costs'. Being in love is a good thing, but it is not the best thing. There sre many things below it, but there are also things above it. You cannot make it the basis of a whole life. It is a noble feeling, but it is still a feeling.Now no feeling can be relied on to last in its full intensity, or even to last at all. Knowledge can last, principles can last, habits can last; but feelings come and go. And in fact, whatever people say, the state called 'being in love'usually does not last. (...)
But, of course, ceasing to be 'in love'need not mean ceasing to love. Love in this second sense - love as a distinct from being in love' - is not merely a feeling. It is a deep unity maintained by the will and deliberately strengthened by habit; reinforced by (in christian marriages) the grace which both partners ask, and receive, from God. They can have this love for each other even at those moments when they do not like each other; as you love yourself even when you do not like yourself.(...) 'Being in love' first moved them to promise difelity: this quieter love enables them to keep the promise. It is on this love that the enfine of marriages run: being in love was the explosion that started it."
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
The good, the bad and the ugly
Minha orientadora vive me falando que sentimentos bonitos não levam a nada. Que são os sentimentos feios que nem frustração, raiva, ódio que nos estimulam o suficiente pra mudar o nosso estado pra melhor. Primeiro, eu comecei a pensar em todas as vezes que esses sentimentos classificados como feios me fizeram mudar minha situação - provas que estudei e passei, conquistas... Comecei a pensar que talvez fosse de fato assim.
Mas daí percebi que são os sentimentos bonitos que subsistem as coisas boas. Às vezes é necessária uma frustração ou outra pra nos estimular a mudar a situação, mas dificilmente essas coisas duram ou são abrangentes - são coisas intensas, momentâneas e isoladas. O sentimentos bonitos - amor, alegria, paciência, humildade - são os que nos fazem querer mudar pra melhor e continuar assim, melhores.
São sentimentos que perduram e que nos fazem querer sermos pessoas melhores em todos os aspectos, de forma mais harmoniosa, ponderada e generalizada. Quando você quer felicidade, você vai atrás daquilo que precisa pra isso, mas a coexistência disso com amor te faz fazer isso de maneira correta e que não faça mal àqueles que te cercam - o que te fará ter paciência com eles, mesmo que você ainda esteja naquela busca inicial de felicidade. Daí você fica mais humilde, e tem domínio próprio e... e... eu percebi que as coisas bonitas que eu listava já estavam listadas como o Fruto do Espírito, em Gálatas.
E, diferentemente do pensamento geral, de fato é no singular que é descrito - o - fruto do Espírito, não - os. E eu percebi que cada um desses sentimentos bonitos se completa formando no final algo delicioso para quem produz e para quem está por perto - ele precisa de todas essas coisas funcionando juntas pra ser ele, e a partir disso conseguimos muito mais do que com aqueles sentimentos feios e humanos.
Posso não ter um pós-doc, mas ainda prefiro a minha teoria.
Mas daí percebi que são os sentimentos bonitos que subsistem as coisas boas. Às vezes é necessária uma frustração ou outra pra nos estimular a mudar a situação, mas dificilmente essas coisas duram ou são abrangentes - são coisas intensas, momentâneas e isoladas. O sentimentos bonitos - amor, alegria, paciência, humildade - são os que nos fazem querer mudar pra melhor e continuar assim, melhores.
São sentimentos que perduram e que nos fazem querer sermos pessoas melhores em todos os aspectos, de forma mais harmoniosa, ponderada e generalizada. Quando você quer felicidade, você vai atrás daquilo que precisa pra isso, mas a coexistência disso com amor te faz fazer isso de maneira correta e que não faça mal àqueles que te cercam - o que te fará ter paciência com eles, mesmo que você ainda esteja naquela busca inicial de felicidade. Daí você fica mais humilde, e tem domínio próprio e... e... eu percebi que as coisas bonitas que eu listava já estavam listadas como o Fruto do Espírito, em Gálatas.
E, diferentemente do pensamento geral, de fato é no singular que é descrito - o - fruto do Espírito, não - os. E eu percebi que cada um desses sentimentos bonitos se completa formando no final algo delicioso para quem produz e para quem está por perto - ele precisa de todas essas coisas funcionando juntas pra ser ele, e a partir disso conseguimos muito mais do que com aqueles sentimentos feios e humanos.
Posso não ter um pós-doc, mas ainda prefiro a minha teoria.
sábado, 22 de setembro de 2012
Teorias de tempo
Tenho uma teoria de que o tempo é um cara muito maldoso ou muito traumatizado. Vai ver ele sofreu alguma desilusão familiar por sempre esquecerem que ele é a quarta dimensão e só consideram as três dimensões do espaço.
Porque só assim consigo ter base para a teoria de que quando nós estamos felizes, naqueles momentos 'eupoderiamorrerdefelicidadeagora', ele vai embora mais rápido - como se estivesse fugindo da gente. E daí, quando estamos cansados, sobrecarregados, desanimados... ele passa em uma lentidão incrível.
Tempo, por que você gosta de ser tão cruel?
Porque só assim consigo ter base para a teoria de que quando nós estamos felizes, naqueles momentos 'eupoderiamorrerdefelicidadeagora', ele vai embora mais rápido - como se estivesse fugindo da gente. E daí, quando estamos cansados, sobrecarregados, desanimados... ele passa em uma lentidão incrível.
Tempo, por que você gosta de ser tão cruel?
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Sobre gregos e troianos
Esse final de semana assisti pela primeira vez o filme 'Troia', aquela superprodução hollywoodiana com Brad Pitt e Orlando Bloom. Sei que a história foi mudada (a característica 'superprodução hollywoodiana' já implica nisso), mas no geral achei um filme bastante interessante pelo aspecto cultural da época.
Há diversas características da sociedade da época retratadas de forma bastante convincente no filme e que me fizeram pensar bastante.
Mais do que o aspecto religioso, ou de relacionamentos interpessoais (até porque isso provavelmente foi uma das coisas menos fiéis, já que 1. os espartanos em sua grande maioria eram homossexuais e só casavam pra ter filhos, casando com meninas com metade da idade deles 2. os casamentos dificilmente eram por amor, sentimentos ou coisas fofinhas - queriam filhos e pontoacabou), o aspecto da guerra me fez pensar bastante na nossa humanidade.
Via algumas cenas de batalha e ficava pensando nos séculos e séculos de guerras que assolam a humanidade, tudo por causa de glória, poder, egos. Pessoas morrendo, esposas se despedindo dos seus maridos e filhos com idade suficiente para serem guerreiros - ou assistindo eles batalharem à morte - dentro de sociedades machistas (salvo a espartana) sem saber o que seria delas.
Daí isso levou meus pensamentos às cruzadas, promovidas pela própria igreja. Lembrei da cruzada das crianças - em que o exército era todo de crianças porque acharam que Deus os ajudaria se fossem pessoas de coração puro batalhando.
Daí a partir desse pensamento de Deus, eu comecei a pensar no contexto dos israelitas no antigo testamento - era esse contexto de guerra que eles viviam, foram levados cativos diversas vezes, batalharam contra povos de incrível crueldade que quando dominavam uma cidade cortavam as mãos e pés dos homens aptos a batalhar e jogavam seus troncos no meio da cidade, de forma que não poderiam se salvar e morreriam diante de todos de hemorragia. Ou que cortavam as cabeças dos opositores e colocavam em pedaços de madeira ao redor da cidade. Ou abriam as barrigas das grávidas. Devo dizer que se reclamamos hoje da sociedade, eu não sei se gostaria de viver com medo do meu marido ou filho ir à guerra e morrer sem braços e pernas ou decaptado.
Mas de certa forma ainda havia um fairplay nas batalhas da antiguidade, um determinado código de conduta pra determinadas culturas que acho que pareciam mais razoáveis do que a incrível crutalidade, falta de ética e respeito que é tão comum hoje em dia. E pensando novalmente nos israelitas, eu percebi que eles eram um povo à parte - enquanto que a maioria dos outros povos lutava pela glória, honra, poder, pelo próprio ego, e recorriam aos deuses pra ter ajuda, os israelitas lutavam por Deus. E mesmo tendo sido levados cativos tantas vezes e indo à guerra tantas vezes (até hoje, inclusive), ainda assim são super bem sucedidos. Incrível.
Em nome de quem temos lutado as nossas batalhas? Será que a gente não só chama o nome de Deus como os gregos chamavam seus deuses, como os troianos chamavam Apolo?
Há diversas características da sociedade da época retratadas de forma bastante convincente no filme e que me fizeram pensar bastante.
Mais do que o aspecto religioso, ou de relacionamentos interpessoais (até porque isso provavelmente foi uma das coisas menos fiéis, já que 1. os espartanos em sua grande maioria eram homossexuais e só casavam pra ter filhos, casando com meninas com metade da idade deles 2. os casamentos dificilmente eram por amor, sentimentos ou coisas fofinhas - queriam filhos e pontoacabou), o aspecto da guerra me fez pensar bastante na nossa humanidade.
Via algumas cenas de batalha e ficava pensando nos séculos e séculos de guerras que assolam a humanidade, tudo por causa de glória, poder, egos. Pessoas morrendo, esposas se despedindo dos seus maridos e filhos com idade suficiente para serem guerreiros - ou assistindo eles batalharem à morte - dentro de sociedades machistas (salvo a espartana) sem saber o que seria delas.
Daí isso levou meus pensamentos às cruzadas, promovidas pela própria igreja. Lembrei da cruzada das crianças - em que o exército era todo de crianças porque acharam que Deus os ajudaria se fossem pessoas de coração puro batalhando.
Daí a partir desse pensamento de Deus, eu comecei a pensar no contexto dos israelitas no antigo testamento - era esse contexto de guerra que eles viviam, foram levados cativos diversas vezes, batalharam contra povos de incrível crueldade que quando dominavam uma cidade cortavam as mãos e pés dos homens aptos a batalhar e jogavam seus troncos no meio da cidade, de forma que não poderiam se salvar e morreriam diante de todos de hemorragia. Ou que cortavam as cabeças dos opositores e colocavam em pedaços de madeira ao redor da cidade. Ou abriam as barrigas das grávidas. Devo dizer que se reclamamos hoje da sociedade, eu não sei se gostaria de viver com medo do meu marido ou filho ir à guerra e morrer sem braços e pernas ou decaptado.
Mas de certa forma ainda havia um fairplay nas batalhas da antiguidade, um determinado código de conduta pra determinadas culturas que acho que pareciam mais razoáveis do que a incrível crutalidade, falta de ética e respeito que é tão comum hoje em dia. E pensando novalmente nos israelitas, eu percebi que eles eram um povo à parte - enquanto que a maioria dos outros povos lutava pela glória, honra, poder, pelo próprio ego, e recorriam aos deuses pra ter ajuda, os israelitas lutavam por Deus. E mesmo tendo sido levados cativos tantas vezes e indo à guerra tantas vezes (até hoje, inclusive), ainda assim são super bem sucedidos. Incrível.
Em nome de quem temos lutado as nossas batalhas? Será que a gente não só chama o nome de Deus como os gregos chamavam seus deuses, como os troianos chamavam Apolo?
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Equacionando.
Ontem fui ajudar a aplicar o vestibulinho do CasD. Precisavam de ajuda, entao fui meio de feliz - sem saber exatamente o que deveria fazer, mas fui. Foi interessante, ver os alunos tremendo, uns meio receosos, outros meio querendo te desafiar... Mas foi tudo bem tranquilo. Um tom baixo, educado e firme bastava.
Tive 4 horas pra observar eles e refletir, fiquei pensando na minha epoca de vestibulanda e eu comecei a pensar muito a respeito de muitas coisas.
Cheguei a conclusao que relacionamentos e estudos talvez tenham mais a ver um com o outro do que aparentam.
O vestibular, por exemplo, e' invejado por uns universitarios. "Foi a ultima prova facil que fiz na minha vida!" Mas, dada a escolha, raros seriam os que de fato voltariam aquilo. A dificuldade da vida universitaria, noites varadas, notas bizarras e professores doidos nao tira o valor daquilo, de estar vivendo (e estudando) aquilo que voce um dia escolheu - a nao ser que tenha feito uma ma' escolha.
Da mesma forma, muitos falam bem da paixao inicial dos casais, do primeiro amor, que essa e' a melhor parte... mas viver isso de novo e de novo seria como viver um eterno vestibular - cansativo, emocionalmente insustentavel. O relacionamento duradouro (o casamento, por exemplo) tambem tem suas dificuldades, mas, contanto que voce tenha feito a escolha certa, provavelmente nao trocaria isso pelas novidades da incerteza e paixao.
Ficar procurando um novo amor toda hora e' como ficar resolvendo equacoes de primeiro grau repetidamente; e' necessario passar adiante pra proxima licao, equacoes de segundo grau, derivadas, limites e integrais - pra voce poder tirar o maximo de proveito daquilo que voce tem drenando todas as informacoes possiveis.
Mas dai, e' so' uma impressao de quem ainda nao viveu o suficiente pra falar se e' assim mesmo. Fale comigo em alguns anos e falo se acertei ou nao, ou se so' era o calor da sala de aula que comecou a desnaturar minhas enzimas e proteinas e afetou minhas funcoes cognitivas.
sábado, 8 de setembro de 2012
Bucket list.
Às vezes precisamos de um reboot, mudar o nosso modo de funcionamento. Normalmente isso se dá após um período de transição - por exemplo, espiritualmente, às vezes precisamos de um acampamento pra parar focar naquilo e recuperar as forças, ou um feriado pra dar um reboot de trabalho e estudos pra reestabelecer o foco nos objetivos quando voltamos. Similarmente, às vezes precisamos nos desligar do mundo com as pessoas certas pra nos fazer reavaliar tudo - e daí você percebe que todas aquelas coisas que parecem sugar seu tempo e que você tem prioridade não passam de pequenas distrações que atrapalham brutalmente a vida.
Deus, trabalho duro (seja trabalhando mesmo ou estudando) e pessoas que você ama te dando total apoio - isso é só o que precisamos. O resto a gente dá um jeito.
Deus, trabalho duro (seja trabalhando mesmo ou estudando) e pessoas que você ama te dando total apoio - isso é só o que precisamos. O resto a gente dá um jeito.
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