sexta-feira, 6 de junho de 2014

foi e vem

Ano passado fui à minha primeira festa junina e explorei a experiência: bolinho caipira, churros, maçã do amor, tiros com arma de chumbinho, todos pequenos experimentos, coisas que nunca tinha feito, em uma tentativa de fugir daquilo que incomodava; achando que com tudo novo nada ia me lembrar de como era.
Dessa vez a festa foi diferente, embora não houvesse nenhuma novidade; dessa vez, em vez da fuga, foi um mergulho na realidade, na saudade, no medo nas conversas, nas coisas do passado, do futuro. Mas acho que a verdade é que mais que aquilo de que foi conversado, importante foi o conversar. Foi compartilhar desgraças próprias e rir das alheias, porque às vezes é tudo o que você pode fazer. Não adianta remoer a história, pensar nesse dia dois anos atrás. Quanto mais pensar pra frente, esse dia daqui a dois anos. Pra trás fica a saudade, pra frente fica o medo, o frio na barriga. Vai ver é esse vai-vem de ficar olhando pra frente e pra trás que deixa a gente meio tonto, mas às vezes, só o que resta fazer no presente momento é rir de como a gente é bobo e, de tanto se preocupar com o que a gente não tem controle, quase que esquece de ver a beleza de onde se está.

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