quarta-feira, 26 de junho de 2013

Desculpem-me o transtorno.

Estou escrevendo muito pouco no blog, percebi isso quando fui postar ontem a minha resenha/reflexão a respeito do Harry Potter. Fiquei me perguntando se havia uma motivação pra esses últimos 6 meses terem textos tão escassos, e fui levada a pensar não só em algumas respostas, mas tembém a algumas ponderações. 

Primeiramente, de maneira bastante lógica e objetiva: continuo escrevendo, só não aqui. Peço perdão se ainda há meia dúzia de leitores que tem esperança de acompanhar meus devaneios, mas tenho investido meu tempo predominantemente no meu livro de ficção que, com grande esforço e satisfação, atingiu suas 200 páginas (em reedição de um livro, ficaria com cerca de 400). Ainda faço reflexões, mas através de diálogos, situações e reflexões da própria personagem. Portanto, paciência, caros! Em breve revelo ao mundo o pequeno universo que habita minhas sinapses. 
Mas outra coisa que pensei foi: porque mudei a maneira de refletir? Porque dificilmente posto aqui o que penso? Porque mudei os assuntos sobre os quais reflito? A resposta é muito simples e ecoa muitas postagens desse blog (que, surpreendentemente, existe desde 2009): eu mudei. 
Gosto de tomar um tempo e ver algumas das coisas que escrevi no colégio, cursinho, entrando na universidade. Quando estava nessa ou naquela situação emocional ou familiar. Gosto porque eu fico feliz de ver que as coisas mudaram, que eu aprendi que a ciência e o conhecimento não vão resolver todos os problemas do mundo, que relacionamentos a dois não são a coisa mais importante mas também não são completamente despresíveis como já fiz parecer há alguns anos. 
Aprendi que eu cansei. Eu cansei de ter medo. De construir barreiras racionais, de pensar demais, de temer o que vão pensar de mim ou como vão me julgar. Cansei de seguir coisas que nunca pensei por quê faço ou não isso. Eu cansei de ficar na minha zona de conforto. 
Nos últimos dois meses, posso dizer que a quantidade de mudanças, caso fosse um gráfico, seria exponencial. Para os que fogem dos números e preferem as palavras, isso significa que mudei muito, mas muito, mas muito mesmo para algumas coisas. Sim, eu pisei pra fora da minha zona de conforto. 
Tive crises, revoltas, brigas, dúvidas e tristeza me moldando de uma maneira admirável em um processo intenso e curioso. Lembro de um dia estar com os meus amigos e chorar litros (olha aí, algo que nunca admitiria ter feito antes por aqui) porque eu sentia que as coias estavam mudando e estava apavorada, porque eu não tinha certeza de absolutamente mais nada. de abraçar eles porque eu sabia que precisava mudar mas não queria. 
Depois disso, eu percebi que tudo o que pensei que tinha, não tinha na verdade. Nada. Nadica. Nope, nem minha própria vida pertence a mim. Tudo pode ir embora muito fácil e muito rápido, então pensei: é apenas lógico que meus alicerces não estejam em algo que possa ir embora, certo? Então comecei a investir o meu tempo em Deus, em orar, ler a Bíblia, em realmente trabalhar naquilo que eu posso trabalhar - na minha alma, algo que, mesmo que não seja meu, é algo que é eterno. 
E a partir disso, eu comecei a descobrir o que é ficar feliz de verdade. Foi a partir da epifania e reconhecimento do fato que de que não tinha nada que veio uma consequência lógica: se não tenho nada, não tenho nada a perder. Não tenho o que murmurar e reclamar, querer além do que tenho. Então comecei a fazer coisas novas, por menores que sejam, novas experiências culinárias, estudar sem me preocupar com o 'passar ou não' e às vezes até investir a madrugada em uma boa conversa em vez de dormir. Comecei a me abrir mais, a não ficar escondendo as coisas, a ver as pessoas como almas que nem eu. 
E foi a partir do momento em que eu passei a me desapegar, eu aprendi a amar. Amar de verdade. A partir do momento em que aprendi que minha felicidade não pode estar em nada daqui da terra, comecei a aprender o que é a felicidade. 
Não fico chorando pelos cantos desejando que minha vida fosse assim ou assado, ou que esse ou aquele sonho tivesse se realizado. As coisas são como são e bola pra frente, porque o melhor ainda está por vir. E só assim aprendi a valorizar aquilo que já veio melhor. E a melhor parte de todas? É que toda essa felicidade e esse amor são estão começando. Ainda tem muito o que mudar pra eu poder olhar esses textos e ter certeza de que eu aprendi, eu cresci, eu melhorei, mas sempre tem o que melhorar.

Então, se eu demorar pra postar de novo, é só que decidi colocar as minhas reflexões mais nas minhas atitudes do que em um endereço eletrônico. Desculpe-me o transtorno, estou em reforma pra melhor atendê-Lo.



"Quando eu aprender a amar a Deus mais do que as coisas terrenas que me são mais preciosas, eu acabarei amando as coisas que me são mais preciosas mais do que agora. Mas se eu me acostumo a amar as coisas que me são mais preciosas em detrimento de Deus e em vez de dEus, estarei me aproximando do potno em que não estarei mais amando coisa nenhuma. Quando as coisas primárias da vida são postas em primeiro lugar, as coisas secundárias, nào são suprimidas, mas providas."

- Lewis


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