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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Unplugged

Diferentemente da maior parte da história da humanidade, a humanidade está teoricamente passando por um momento onde não há escravidão, liberdade e direitos humanos... ou uma falsa impressão de tudo isso.
A tecnologia está nos tornando seres bobos e dependentes dela, cada vez mais; todo mundo sabe disso muito bem, não faltam reportagens e documentários sobre o tema, mas quando isso começa a se instalar cada vez mais nas nossas rotinas, torna-se um fator digno de preocupação.
Nós não mais conversamos com as pessoas ou as vemos, enviamos mensagens, impessoais, curtas e limitadas aos assuntos de que queremos falar. Nós não saímos mais para jogar conversa fora, interagir socialmente ou dar risadas. Ficamos horas e horas no computador, jogando, na frente de uma televisão jogando videogames.
Não que celulares, computadores e videogames sejam algo ruim - acreditem, sou aluna do bacharelado em Ciência e *Tecnologia*, mas suspeito que invés de essas coisas estarem adicionando atividades e entretenimento nas nossas vidas, elas estão na verdade substituindo outras coisas que de fato tornam nossas vidas boas, agradáveis e satisfatórias.
Estou bastante revoltada comigo mesma por causa da grande quantidade de tempo que tenho passado no facebook, msn, etc, simplesmente porque morando sozinha sinto que isso é meu único contato com o mundo externo (já que não tenho telefone e meu celular não funciona direito...), então é com grande satisfação que digo que decidi aproveitar de verdade minhas férias longe dessas falsas ilusões de que temos muitos amigos ou que as pessoas de alguma forma se interessam por nós, quando na verdade 90% não dá a mínima.
Vou lá ler, viajar (Rio esse final de semana!), desenhar, escrever, organizar, arrumar, inventar, rir, me divertir, encontrar meus amigos longe das telas, softwares e programas. Isso eu já tenho demais na faculdade.

Vou fazer a desintoxicação e reabilitação.

Starting now.

"Hey, hey you, yeah you gotta be leaving,
Say what you want, what you say, say anything
No one knows just how deep it goes
We are old in your teenage tyranny
And all you need is a hunger to feed
I've got my own secrets though, say what? 

With a heart full of mess and lore We are doomed but we want more 

It's the ride we take
The many winged escape
It's the bough we break to blow away
And we blow away The time we waste
Swallowed into space
It's the time it takes to blow
Away"

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

(730) days of winter

Caros raros, é com grande alegria que lhes digo que os próximos posts (se existirem) serão enviados da casa da minha tia, passarei uns dias por lá. Isso me lembrou bastante Pride & Prejudice, porque as personagens passam muito tempo na casa dos outros; Elizabeth fica 5 semanas na casa de uma amiga, um mês na casa da tia... enfim, infelizmente não creio que ficarei um mês lá (apesar de já o ter feito) mas posso dizer que será um descanso bem desejado da rotina de férias em casa.
Aliás... falando em pride and prejudice...

* * * * *

Já mencionei o livro de Jane Austen diversas vezes aqui, eu sei, mas uma coisa nele tem me marcado muito mais do que já falei.
O livro se passando no século XIX, na Inglaterra apresenta costumes bastante diferentes dos do século XXI, e quase desejo que tivéssemos os bons costumes, boas maneiras e civilidade da época.
Por mais que creiamos que a humanidade está evoluindo, temo que de 1800 para 2000, apenas decaímos mais. A honra, dignidade, integridade, não têm valor absolutamente nenhum hoje, quando no passado eram fundamentais.
Há um episódio no livro por exemplo em que uma personagem de aproximadamente 15 anos foge com outro muito mais velho, teoricamente para casar ou algo assim; no livro, é uma desgraça para a família e estão todos desesperançados, enquanto hoje as pessoas fazem pior que isso com a aprovação dos pais.
Não temos mais o mínimo de decência, assuntos antes perigosos e dificilmente mencionados hoje fazem parte de diálogos com linguagem chula desdignificando a figura humana; um relacionamento, quando com sentimentos honestos era buscado por compatibilidade intelectual, emocional e psicológica, nada de decisões impulsivas e regidas por hormônios e instintos como hoje; relacionamentos que não buscados por compatibilidade, mas por impulsão e falta de bom senso eram mau vistos e terríveis tanto para os indivíduos em questão como para as famílias. Era esperado que as pessoas tivessem um mínimo de consideração por si e por outros.
Eu sei, certamente hoje há muitas vantagens nos tipos de relacionamentos - por exemplo, hoje relacionamentos entre classes sociais diferentes são mais ou menos aceitos e não há tanto aquela questão de casar por dinheiro para se ter uma vida confortável, sendo mulher, se tem a opção de casar ou não... mas ainda assim, às vezes penso que nasci na época errada. Pertencia à civilidade e boas maneiras de 1800, não ao vocabulário chulo, não à pouca vergonha, não à indecência de hoje.

Era melhor quando uma mulher mostrar o tornozelo era um ultraje, não hoje que usar um cinto no lugar de saia é absolutamente normal. Desculpas. Meus conceitos de normalidade não são o que muitos chamam de "normais".



Seguem a seguir alguns bons quotes do livro:
"I certainly have not the talent which some people possess," said Darcy, "of conversing easily with those I have never seen before. I cannot catch their tone of conversation, or appear interested in their concerns, as I often see done."
"My fingers," said Elizabeth, "do not move over this instrument in the masterly manner which I see so many women's do. They have not the same force or rapidity, and do not produce the same expression. But then I have always supposed it to be my own fault- because I would not take the trouble of practising."

"I might as well inquire," replied she, "why with so evident a desire of offending and insulting me, you chose to tell me that you liked me against your will, against your reason, and even against your character? Was not this some excuse for incivility, if I was uncivil? But I have other provocations. You know I have."

"But how little of permanent happiness could belong to a couple who were only brought together because their passions were stronger than their virtue, she could easily conjecture." - as most relationships are today.