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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

not that kind of love

Estou aqui esperando meu frango acabar de cozinhar, e decidi passar rapidamente para escrever alguns dos pensamentos do feriado (até agora).
Fui ao casamento do meu primo, (como disse a Jessica, esse final de semana completamos as metas de casamentos de homens da família... porque ele é o único primo homem!) reencontrar a família, 'oh, como vai você?' 'quanto tempo, e a faculdade?' 'e como vão os estudos?' 'já sobreviveu ao cálculo I?', bla bla blá, whiskas sachè.
Eu usualmente não gosto lá muito de casamentos, esses tradicionalíssimos que você começa a viajar na análise antropológica do ritual de união de duas famílias, mas dessa vez foi um tanto peculiar.
Percebi o quanto meu primo estava bobo (antes de ingerir álcool!), e realmente não esperava por isso. Eles estavam namorando há 14 (ou 15?) anos, supus que seria apenas oficializar algo que todos já antecipavam. Mas não, estava bobo, mais que já o vi em toda a minha curta existência.
Daí comecei a perceber uma certa movimentação entre minhas primas, definindo a ordem dos matrimônios a vir (com sorte, até chegar 'a minha vez' todos estarão tão fartos de ir a casamentos que esquecerão de mim), mesmo isso vindo das pessoas que sempre defenderam o viver o agora e que se dane o futuro. Estranho.
Depois de voltar (e dormir muito para me recompor), liguei o top tvz enquanto fazia meu café da manhã e comecei a prestar atenção nas letras de músicas, assisti um filme... e algo que eu estava percebendo é que em todas as músicas que falam de amor, há um lance de que 'o seu amor me torna uma pessoa melhor' ou 'o seu amor vai me concertar', é como se as pessoas fizessem merda e depois esperassem que uma pessoa concertasse tudo isso.
Daí vim para o computador e vi 'as 10 frases mais românticas do CRAPúsculo crepúsculo', e eram todas do tipo 'você é o meu mundo, você é a minha vida, morro por você, faço qualquer coisa por você', o lance todo enauseante de uma perfeição utópica.
Não pude deixar de perceber que até as pessoas que você menos espera estão procurando esse amor para dar-lhes um motivo para viver e para consertar-lhes, o que logicamente nos faz supor que: todas as pessoas reconhecem que estão quebradas e que precisam de um motivo para viver.
O grande problema é que estão buscando sacear esse vazio que tende ao infinito, que exige perfeição para ser preenchido, em outras pessoas. Querem viver em função de um único indivíduo, quando um indivíduo humano é tão imperfeito quanto eu e você, e que causará decepções e haverão brigas e discussões, e que esse amor, ainda que exista, não é perfeito e exigirá grande esforço de adaptação de ambas as partes.
Supor que isso será a resposta de todos os seus problemas é como supor que um peão ficará eternamente em pé sozinho, achando que aquela faísca inicial de energia proporcionará um momento linear para mantê-lo rodando eternamente. As pessoas esquecem que não vivemos em um mundo ideal, que existe resistência do ar e atrito e eventualmente esse peão vai cair. Precisamos de mais estabilidade em nossas vidas que apenas um relacionamento humano para sustentá-la.
Já, se considerarmos que existe uma peça do quebra-cabeça individual de cada um que preenche esse vazio tão gigantesco, o restante do quebra-cabeça automaticamente passa a fazer sentido, cada peça em seu lugar.
Todo mundo tem um vazio que pode tentar preencher com amigos, trabalho, substâncias químicas (lícitas ou não), diversão... e pode até preencher um pouquinho, mas pra algo preencher um vazio que tende ao infinito, tem que ser algo de proporções infinitas.
E acredite: Não há nada de infinito que pode ser encontrado nos seres humanos além de sua estupidez.

 
*  *  *  *  *
Escutei semana passada essa música, e creio que ela que tenha desencadeado esses montes de pensamentos. Meu franguinho está cozido, então vou lá alimentar-me enquanto faço o trabalho de Química. Enjoy!

Love song ~thirdday

I've heard it said that a man would swim the ocean
Ouvi dizer que um homem nadaria o oceano
Just to be with the one he loves
só para estar com aquela que ele ama
All of those dreams are an empty notion
todos esses sonhos são uma noção vazia
It can never be done
nunca poderá ser feito
I've never swam the deepest ocean
eu nunca nadei o oceano mais profundo
But I walked upon the raging sea
mas eu andei sobre o mar revolto

Just to be with you, I'll do anything
só pra estar com você, eu faria qualquer coisa
There's no price I would not pay
não há preço que eu não pagaria
Just to be with you, I would give everything
só para estar com você eu faria qualquer coisa
I would give my life away.
eu daria a minha vida

And I know that you don't understand
e eu sei que você não entende
the fullness of my love
a amplitude do meu amor
How I died upon the cross for your sins
como eu morri sobre uma cruz por seus pecados
And I know that you don't realize
e eu sei que você não percebe
how much that I gave you
tudo que eu te dei
And I promise, I would do it all again.
e eu prometo, eu faria tudo de novo

Just to be with you, I've done everything
só para estar com você, eu fiz tudo
There's no price I did not pay
não há preço que não paguei
Just to be with you, I gave everything
só para estar com você, eu dei tudo
Yes, I gave my life away
sim, eu dei a minha vida
Just to be with you
só para estar com você

domingo, 18 de setembro de 2011

somewhere in between

Ontem foi aniversário da minha mãe, e havia criado uma certa quantidade de expectativas a respeito da noite - estava empolgada para rever a família. O problema... foi que a família que foi foi uma um pouco mais distante, e bem... Como normalmente acontece com expectativas, as minhas ficaram frustradas.
Foi uma noite estranha, para dizer o mínimo e depois que haviam ido embora sentei no sofá do lado da minha vó "Foi estranho hoje. Não me senti bem.Me senti um peixe no deserto do saara." (depois me lembrei que o deserto mais seco do mundo na verdade é o do Atacama, mas o efeito foi o mesmo)  "Mesmo? Por quê?" "Os assuntos foram... bobos. Assuntos irrelevantes." "É? Não sabia, não estava ouvindo..." invejei sua surdez por um brevíssimo instante e expliquei-lhe o tipo de assunto que correu.
"Às vezes eu não sei de onde vem a minha genética, são poucos os da família com quem realmente me dou bem. Conversamos a respeito de coisas construtivas, bacanas... Eu só me sinto diferente." "Bem... isso é porque você é diferente... e você não conheceu seu avô. Se tivesse conhecido, teria adorado conversar com ele..." Ponderei. Suspirei. "E certamente ele teria adorado você". Uma súbita onde de alegria e uma nostalgia do desconhecido tomou conta de mim, e me perguntei porque não pude conhecê-lo. Porque o câncer deveria ter chego antes de mim. Fiquei pensando se é possível sentir falta de algo (ou, no caso, alguém) que você nunca conheceu. Sentir falta de algo que você nunca teve.
Talvez até por nunca termos tido, de fato, essas coisas, que sentimos falta delas, porque criamos uma aura de idealização ao redor delas que realmente, se fossem algo além de ficção, se fossem reais, seriam extraordinárias.
Agora... se, por uma vez nossas expectativas fossem superadas pela realidade... seria além do que palavras poderiam descrever.
Mas, como sempre, a maioria das nossas expectativas são platônicas. Um punhado de dúvidas, um punhado de sonhos, é só misturar com água e voilá! aí está o ser humano.


*  *  *  *  *

"I can't be losing sleep over this, no, I can't
Não posso estar perdendo sono por causa disso, não posso
And now I cannot stop pacing
E agora eu não consigo mais parar
Give me a few hours and I'll have this all sorted out
Dê-me algumas horas e eu terei isso resolvido
If my mind would just stop racing
Se ao menos minha mente parasse de correr

'Cause I'm waiting for tonight
Porque estou esperando por hoje à noite
Then waiting for tomorrow
E depois esperando por amanhã
And I'm somewhere in between
E eu estou algum lugar entre
What is real and just a dream."
O que é real e o que é onírico

[Lifehouse - somewhere in between]