Dentro da natureza humana, há diversos componentes, sensações, sentimentos, mas um, particular em sua peculiaridade é precisamente o medo. É um negócio engraçado. Aliás, corrigindo-me, é da natureza, não só humana!
Hoje quando vinha embora da casa da Estela, a Meg mordeu a minha perna porque se sente ameaçada por qualquer pessoa que não seja da família - e isso certamente me pôs a pensar. Quantas vezes não agimos impulsiva e ridiculamente em direção ao mundo por causa dessa nossa tentativa de proteção a nós mesmos? Eu certamente não queria ferir a Meg, mas mesmo assim ela sentiu que precisava se defender o suficiente para morder a minha perna. Como disse antes, peculiar.
Tudo isso me fez pensar muito sobre meu estado mental esses dias, e me fez lembrar de uma palestra na igreja a respeito do tema, e encontrei um esqueminha sensacional:
Ameaça -> Proteção -> Controle -> Medo -> Controle -> Ameaça -> Proteção novamente, e assim segue.
A ameaça, nos faz querermos nos proteger, que nos faz querer ter o controle da situação. Não conseguimos o controle, então ficamos com medo, e queremos controlar nosso medo - não conseguimos fazer isso, e nos sentimos novamente ameaçados por não conseguirmos controlar o medo. Faz bastante sentido!
Mas o componente que mais me chama atenção nesse ciclo, é o controle: a perda do controle é uma enorme causa de medo. Porque mesmo se nos sentirmos ameaçados, mas tivermos controle da situação, é uma coisa... não sentimos medo. Já, sem controle, tudo muda de figura. Ou seja, confiamos em nós mesmos para resolver a situação e/ou ameaça, mas não em mais ninguém. Que coisa estúpida, não?
Mas tudo isso me fez lembrar de todos os posts recentes a respeito dos meus caros pássaros, como não adianta nos preocuparmos ou ter medo antes mesmo da ameaça - a preaocupação não adicionaria um dia sequer às nossas vidas. E mais que isso, tentar tomar em nossas mãos os problemas, mal começaríamos a resolver alguma coisa.
Mostrar nossa fragilidade a Deus e nos sujeitarmos à sua vontade (ou seja, entregar-lhe todo o controle) significa precisamente o começo da compreensão de que na verdade, o controle das nossas vidas nunca foi nosso. Esse gesto apenas nos livra de uma ilusão patética, humana e ridícula.
Começamos a ter algo mais sincero e realista com Deus, despindo-nos de nossa auto-imagem de alguma falsa ilusão de poder ou controle sobre qualquer coisa. É nos despirmos das barreiras que construímos para nos protegermos do mundo na esperança de sentir verdadeiramente Seu amor.
"Quanto mais ousamos mostrar todo nosso tremulante ser a Deus, mais seremos capazes de sentir o amor de Deus, que é perfeito, bane os medos, purifica nossos pensamentos e cura nosso ódio."
[Henry Nouwen]
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