Eu não queria ir, de novo. Como em Janeiro de 2007. Fui sem vontade, mesmo assim. Não fui a única.
Eu estava contando os dias até o acampamento mas um mês antes a vontade de ir passou, estava desanimada, meio triste. Mas, queria ajudar, não poderia deixar o Maurão e a Bila e todos os outros equipantes na mão, fui.
A temporada de crianças foi muito boa, entre equipantes nos divertimos muito (especialmente fazendo os videos para a noite do oscar!), com as crianças demos muitas risadas, nos emocionamos com o amor que as crianças em uma semana apenas passaram a sentir pelo acampamento; choros na última noite, por parte dos tios e dos acampantes, ninguém queria que aquela semana chegasse a um fim.
Crianças que nos cativaram, que sentimos saudades, que quando víamos ao passar no salão para pegar um rolo de papel higiênico para o coletivo vinham correndo e gritavam "MEEEEL!" e um abraço apertado me envolvia (ou ao menos, envolvia minhas pernas devido à diferença na estatura).
Estou com saudades da criançada já, em uma semana você passa a amar as crianças, se preocupar com elas e querer ver elas de novo só pra dar aquele abraço e falar "Quero te ver em Janeiro, viu???" porque não imaginamos outra temporada sem todo aquele grupo, mas infelizmente sabemos que alguns provavelmente levará um bom tempo para reencontrarmos.
Então, acabou a primeira semana. Segunda semana.
Ai, caramba. Não poderiam ser duas semanas de crianças? Nada de adolescentes?
Como muitos falaram o acampamento começou sem graça, sem ânimo. Demorei pra entrar no clima, mas entrei. E como.
De repente você nota como Deus faz as coisas perfeitamente e como Ele pode te usar, apesar de você mesmo. Seja numa peça, numa leitura de bordo, conversas. E você vê como Deus pode usar grandemente as outras pessoas... É uma coisa surreal, chorei. Chorei de alegria, de tristeza porque a semana acabou, chorei de saudades antes de sentir saudades.
Essas duas semanas tiveram, sim, suas dificuldades, coisas que me machucaram muito, que me entristeçeram muito, mas Deus se provou maior que todas essas coisas e vai ajudar na cicatrização das marcas, e já começou a fazê-lo lá mesmo.
* * * * *
Cheguei em casa, tomei um banho quente, entrei na minha cama e... boa noite. Acordei às nove horas da noite. Mas sei que a exaustão, dor e dificuldades físicas valeram todas à pena mesmo que tenha sido só pra fazer a diferença na vida de uma, dez, ou cinquenta pessoas.
Quando você vê mudanças e crescimento espiritual... é porque você faria tudo de novo, dez vezes mais.
* * * * *
Quase tive o acampamento dos sonhos: Sem jantar de gala, sem top 10 e sem serenata.
Nada das meninas se fazendo de macacas pulando de cama em cama e gritando, ou tentando chegar a um acordo quanto a qual equipante fica em primeiro lugar. Ufa.
Em compensação foram dois jantares de gala: um os meninos convidavam as meninas, no outro vice-versa.
Ainda bem que não tive de convidar ninguém ;)
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